A PREVIDÊNCIA SOCIAL DE UATI. (III)

Quando entrei no posto, senti algo estranho… O ar impregnado com uma fumaça densa, parecia viscoso. Andar, era um esforço cansativo e estranho. A cada passo, era como se o chão fosse feito de areia movediça. As pernas pesavam… era difícil enxergar à distância. Ao fundo, ouviam-se gemidos e grunhidos abafados, lamentações murmuradas e maldições lançadas como brasas fumegantes.
Figuras translúcidas esgueiravam-se por trás dos balcões onde deveríamos ser atendidos. Seres estranhos, sem face e sem pés visíveis. Pareciam flutuar no éter. Mas, eram ao mesmo tempo, aterrorizantes e enigmáticos. Pois sabíamos que, deles, dependia nosso futuro.
Fomos levados até o segundo andar do posto. Pelas janelas, podia-se vislumbrar o céu lá fora. E, apesar de estar um dia lindo, com o sol batendo nos verdes campos de UATI; a imagem que víamos (através delas) era de uma terra estéril e improdutiva. Era como estar no “LIMBO”.
Ao chegarmos, fomos separados por origem: Trabalhadores comuns para um lado; trabalhadores do sistema financeiro para outro.
Na sala destinada às pessoas do sistema financeiro, havia uma figura indefinida, sentada numa cadeira de encosto alto e estofamento rasgado; que separava inúmeros envelopes contendo toda a história de vida daquelas pessoas.
Com um olhar inamistoso e aparentando enfado e nojo; a terrível criatura segurava em suas mãos os papéis e os separava (de acordo com uma ordem jamais revelada) um-por-um.
Após uma espera angustiante de várias horas (sem comer e sem beber água), a criatura grunhiu meu nome e, erguendo seu braço descarnado, indicou-me uma porta.
Nada me preparou para o que aconteceu ali…
Um homem (pelo menos é o que parecia), veio arrastando-se penosamente e sentou atrás de uma pequena mesa disposta num canto da sala. Esticou seu braço por cima da mesa e murmurou “- senta aí.”
Apesar dos cumprimentos costumeiros (bom dia, como vai, etc) terem sido pronunciados por mim; a criatura continuou em seu silêncio sepulcral.
Quando ergueu sua cabeça para olhar-me, percebi horrorizado que ele não tinha olhos e sua boca era costurada. Notei, então, que a criatura comunicava-se telepaticamente.
Já tinha ouvido falar dessas criaturas. A resistência teria descoberto que, para dominarem as artes mágicas e as forças ocultas, visando evoluírem financeiramente; as criaturas haviam feito um pacto com as divindades mais perversas que existiam:
“OS DEUSES DE BANQ-EIR OZ.”
Estes Deuses, por atuarem de forma ignóbil, obrigavam seus seguidores a arrancarem os olhos (para não ver o mal que causavam) e a cortar a língua e costurar os lábios com fios de fino ouro (para não revelarem os segredos ocultos).
Esse ritual de mutilação era feito num cerimonial chamado “CALAE BOCUS”. Onde eram feitos sacrifícios humanos e muitas moedas de ouro trocavam de mãos.
Ninguém que tenha presenciado o ritual sobreviveu para contar. As informações divulgadas, só vieram à tona porque, uma dessas criaturas, quebrou seu voto de silêncio e revelou o que acontecia. Mas, ao falar; instantaneamente transformou-se em pó. Depois disso, ninguém nunca mais quebrou os terríveis votos.
A criatura que me fitava, com suas órbitas vazias, abriu sua mão e pegou o envelope em que eu trazia meus exames e laudos médicos. Tocou, levemente, com ele sua testa enrugada e (sem emitir qualquer som) começou a escrever num pergaminho.
Após terminar, entregou-me o escrito e apontou para a porta. Em minha mente, ouvi sua voz retumbar: ” - Você deverá ser examinado por outros.”
Sentindo o suor escorrer pela espinha, e um nó sufocante crescendo em minha garganta; dirigi-me para a recepção e entreguei o pergaminho para a outra criatura.
Olhando espantada para mim e para o pergaminho, pareceu não entender o que o “PERITO” havia escrito ali; esgueirou-se por um corredor auxiliar e voltou alguns minutos depois dizendo:
“- VOCÊ VOLTARÁ NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA..”
(CONTINUA…)
Valeu!
Muito bom seus textos cara,legal mesmo.
parabéns pelo blog.
Abraço.
muito obscuro esse texto, hahaha mas criativo e ótimo aqui no seu blog!
t+
agradeço a visita!
Parabéns .
Estou aguardando a continuação .
abs: L.sakssida