02 Jan

O CALAE BOCUS. (I)

O Calae Bocus (I)

 

 

O RITUAL SECRETO QUE CONFERE PODERES MÁGICOS AOS PERITOS DE UATI.


A vida era difícil, recém formado, dificuldade de arranjar um bom emprego e de ganhar seu sustento dignamente. O Dr. Alceu era mais um entre milhares de profissionais mau pagos que enchem as folhas de pagamentos de governos do terceiro mundo. Ele sonhava com a independência financeira e com a possibilidade de ter tudo o que sempre sonhara. Uma vida farta e cheia de benesses.

Cansado de esperar pela chance que nunca chegava, resolveu que iria abandonar a carreira. Não entendia como os médicos enviados para os postos conveniados da Previdência Internacional e que prestavam serviços para a Família Real de Uati e de outros países, dispunham de servos, veículos luxuosos com mordomias variadas, casas em lugares incríveis e maravilhosas. Seus filhos estudando com os melhores mestres de todas as artes e ciências. Era estranho aquilo. Pois ele ganhava exatamente a mesma coisa que eles e não entendia o que ocorria. O mais estranho era que, após irem servir nos postos, eles nunca mais eram vistos. Sempre acompanhados por figuras estranhas, homens (ou pelo menos pareciam ser) encapuzados usando mantos e de quem nunca se podia ver o rosto.

Ele se intrigava com aquilo e, parte por inveja, começou a investigar. Apurou que as criaturas que se passavam por servos, na realidade eram os mestres deles. Os conduziam, do posto ao trabalho para que nunca fossem observados ou seguidos. Os alimentavam e os protegiam evitando que fossem atacados pelos comandos da resistência. Era praticamente impossível chegar perto de um deles. Mesmo nos exames, as criaturas cuidavam para que só se chegassem a eles, após cuidadosas revistas e acompanhamento rigoroso.

Sem notar, o Dr. Alceu é que estava sendo observado e sondado. Numa noite, um carro parou em frente a sua humilde casa na periferia e dois homens bem vestidos saltaram e bateram em sua porta. Ao abri-la, o Dr. Alceu, se assustou e tentou recuar. Agarrado pelo braço, foi conduzido ao interior do veículo. Lá, um homem jovem e com um ar soturno, disse com uma voz pausada, baixa e assustadora: “Dr. Alceu, temos acompanhado seu ”interesse” por nossas operações na Previdência Internacional. Estaria interessado em fazer parte delas?”

Nervoso, suava frio, e aquelas palavras penetraram em seus ouvidos de uma forma inesperada e estranha. Seu coração parecia parar de bater. Sentia o sangue reduzir a velocidade nas veias e gelar. Naquele momento, seus sentidos estavam tão afiados que ele tinha a percepção ampliada muitas vezes e podia ver o mundo a sua volta como nunca antes. Gaguejando e falando tão baixo que suas palavras soaram quase inaudíveis, ele sussurrou: S-sim.”

Sem dizerem mais uma palavra sequer, os homens reuniram-se a ele e o veículo mergulhou na noite. Após várias horas, chegaram à fronteira com UATI. Estranhamente, sem solicitarem documentos ou sequer olharem o interior do veículo, os guardas ergueram a barreira e permitiram a entrada do carro naquele país estranho.

Chegaram já na alta madrugada a uma construção antiga que aparentava ser um templo. Era muito velha mesmo. Os entalhes nas portas e nas pedras davam ao lugar uma aura inequívoca e assustadora de terror extremo. Podia perceber que era uma língua antiga e, a muito, esquecida. Era estranho. O que eles queriam dele? O que aquele lugar que, agora tinha certeza, era um templo tinha a ver com um médico? Seria um teste? A verdade é que já se arrependera. Queria correr e fugir. Mas sabia que se desistisse, estaria morto.

Os homens o conduziam pelos corredores escuros e fumarentos, como se já conhecessem o local intimamente. A luz da aurora, que já se pronunciava, era incapaz de penetrar as janelas escuras e aquela atmosfera doentia. Sentia dificuldade em respirar. No ar, havia um cheiro nojento e adocicado que revirava seu estomago.

Chegaram a um átrio enorme que antecedia um salão maior ainda. No centro do salão, via-se o que parecia ser uma fogueira gigantesca. As chamas subiam pelo ar quase até tocar a cúpula dourada que encimava o templo. Ao seu redor, criaturas com mantos escuros entoavam cânticos que ele não conseguia compreender. Ao centro, um pequeno altar de ouro, circundado por pinturas gigantescas dos Deuses Banq-Eir Oz, retratando todo o panteão sagrado.

Sobre o altar, um homem vestindo uma túnica dourada era martirizado. Estavam arrancando-lhe os olhos. A cena macabra o chocou profundamente. Virou-se e tentou correr. Foi agarrado, amarrado e silenciado. O estranho homem, que até aquele momento só havia falado com ele no carro, virou-se e calmamente sussurrou em seus ouvidos num tom condescendente: “Doutor, infelizmente não aceitamos desistências”.

 

Nada havia preparado o pacato Doutor Alceu para o que aconteceria depois.

Compare preços de:

CD’s - DVD’s - Celulares - Câmeras Digitais - Bicicletas - Bonecas e Acessórios -

Brinquedos Educativos - Jogos - Para o Bebê

 

 

You can leave a response, or trackback from your own site.

9 Responses to “O CALAE BOCUS. (I)”

  1. 1
    bia Says:
    nossa!
    isso é cultura pura!
    o//

    mto bom!

    blog tri!

  2. 2
    Victor Says:
    Mtoo iraaado..
    xD
    axei bem lgl
    Coitado do DoutoooOR.. Oq será q vai aconteceer?
    to curioooso =PP
    hehe xD

    passa lah no meu qnd puder tbm ;)

    http://bycohen.blogspot.com/

  3. 3
    Marcelo Says:
    Porra, muito maneiro…auhauhauhauahuaha

    Fiquei curioso também, vou voltar mais vezes. PArabens!

  4. 4
    Lukas Vittorino Sakssida Says:
    COMO SEMPRE SEUS CONTOS COERENTES E PERFEITOS .

    MUITO BOM AMIGO……
    COMESANDO O ANO COM PÉ DIREITO NO BLOG…

    []S DO AMIGO LUKKAS

  5. 5
    Lukas Vittorino Sakssida Says:
    JÁ COMENTADO E AGUARDANDO A SEQUENCIA

    []L.Sakssida

  6. 6
    » O Calae Bocus. (I) » LinkAtivo.com Says:
    [...] como os habitantes de Um País Chamado UATI são [...]
  7. 7
    Cara estranho Says:
    Oii.
    Muito bom seu blog.
    Parabéns pelo excelente trabalho.
    Feliz 2008!
    Muito sucesso para você e para o blog.

    Abraços

  8. 8
    Mariana Says:
    Fiquei encantada com o conto, com o blog. Enfim, com tudo.
    Parabéns.
  9. 9
    Murilo Says:
    puxa vida, fiquei bobo agora, isso sim é um blog de qualidade. Acho até que qualquer coisa que eu disser aqui não estará a altura.
    Parabéns!

Leave a Reply

© 2009 Um País Chamado UATI

Designed by NET-TEC Hosting -- Made free by Bettwäsche | Kaminofen | Kontaktlinsen

Bad Behavior has blocked 37 access attempts in the last 7 days.