NO RUAS ARMAGÓRIUM.

Ele não entendia o que estava acontecendo. Lembrou-se de ter sido convidado para a grande sala do rei e de esbaldar-se em um banquete oferecido a todos os sacerdotes. Agora, estava acordando naquele lugar inóspito e deserto. O sol, inflamando o céu com seus raios poderosos, queimava sua carne impiedosamente. Seu corpo pálido e acostumado a um ambiente artificialmente refrigerado e na penumbra, sofria com aquele calor intenso e abafado.
Olhou em volta. Tudo eram pedras, areia e desolação. O calor… Ah! Aquele calor, ele tinha que se abrigar rapidamente ou sucumbiria em pouco tempo. Seus olhos fitavam o horizonte desolado em busca de abrigo. Viu ao longe uma caverna e, cambaleante, dirigiu-se pra lá. Jogou-se nas sombras e tocou os ombros que já ardiam e começavam a latejar. Tremia. Pensou logo que estaria com febre. Desacostumado aquelas condições sentia o pânico tomar conta de seu espírito.
O que teria acontecido? Aos poucos, sua mente começava a se organizar e os anos de doutrinação vinham em seu auxílio para ajudá-lo a entender. Fora convidado para o festim pelo Sumo-Sacerdote. Comparecera e participara do banquete, juntamente com Sua Majestade Egydium I. Porém, só agora, se lembrava que apenas ele bebera da taça oferecida pelo Grande Rei. Então era isso… Fora drogado, despido e transportado para o Ruas Amargórium. Fora banido!
Mas, por que? Sempre executara seus deveres com esmero e dedicação. Nenhum sacerdote tinha tantas mortes confirmadas quanto ele. Seus informantes espalhados por todas as cidades e aldeias de UATI eram os mais ativos e os mais precisos de todo o clero. O Grande Deus Olavus em sua face “O Decepador” sempre preferia incorporar-se nele. Não compreendia o que podia ter ofendido o Grande Rei.
Só se… Só poderia ser isso… Aquele ritual… Dias antes, havia presenciado um estranho ritual no templo. Um homem teve os olhos arrancados e a boca costurada; recebendo enormes quantidades de moedas de ouro. Logo depois foi entregue as “criaturas sem rosto”. Ele tinha sido avisado para não comparecer ao salão místico naquele dia. Pois o ritual só era acessível aos mais graduados sacerdotes. Ele havia testemunhado o ritual secreto do “Calae Bocus”. Estava sendo silenciado!
Desesperou-se, tudo fora um terrível mal entendido. Havia passado todo o dia colocando em ordem os livros sagrados e selecionando novas vítimas para futuros expurgos, e esquecera-se do aviso. E, distraído, entrara no salão proibido.
Sabia que aquele lugar maldito era habitado por muitos uerreagariânus que, como ele, haviam caído em desgraça por motivos vários e foram isolados ali. Durante o dia calor intenso, à noite frio penetrante e mortal. Encontrar com esses renegados significava a morte certa. Pois, embrutecidos pelas condições severas do lugar, eram lutadores ferozes e fortíssimos. E ele, acostumado a uma vida farta e mansa, estava muito longe de ser páreo para eles.
Absorto em seus pensamentos, nem notou o ruído vindo da entrada da caverna. Um grupo de renegados famintos o observava e antevia uma refeição farta. Assustou-se quando o líder destacando-se do grupo avançou em sua direção e o agarrou pelos cabelos. Debateu-se com todas as forças que lhe restavam. Mas as mãos daquele homem-fera eram como garras poderosas. A luz do sol penetrava tênue pela abertura da caverna e um raio incidiu sobre a imensa e reluzente lâmina que o selvagem segurava na outra mão. Enquanto seus olhos esbugalhados acompanhavam o brilho intenso em movimento, sua mente lembrava-se num átimo de segundo, de todas as vítimas que teve em suas próprias mãos. Como elas se debatiam, choravam e imploravam por suas vidas miseráveis. Sentiu o frio aço penetrando em sua pele fina e queimada. Tentou gritar, mas o sangue inundava sua garganta transformando seus gritos num grunhido horrível e abafado. Enquanto seu corpo caía ao chão, pode ver que os outros avançavam sobre ele, golpeando-o e retirando lascas de sua carne ainda viva e pulsante. Imerso em dores lancinantes e no limiar da morte, ainda pode pensar que todos que ele havia matado em nome do Grande Rei, deveriam ter passado pelo mesmo tormento atroz.
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bjos!
Seria seu blog todo uma grande mitologia criada por você, na qual esta história se insere?
Interessante seu texto… É de fácil leitura, e prende a atenção pela natureza misteriosa do conto.
Quando pretende postar a continuação?
Gostei do blog!
Abraço!
Muito bom.
Feliz 2008..
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Conto com sua presença!
Abraços,
Frank Morgan.
Estou curiosa por saber mais acerca dessa hóstil terra….Lembra-me os Anos 30 na Alemanha Nazi! LoL
Um grande abraço
Muito bom mesmo agora vou voltar a ler mais os seus post pois fiquei intrigado com a maneira que você screve !! hehehe
Abraço