09 Jan

NO RUAS ARMAGÓRIUM.

 

 

Ele não entendia o que estava acontecendo. Lembrou-se de ter sido convidado para a grande sala do rei e de esbaldar-se em um banquete oferecido a todos os sacerdotes. Agora, estava acordando naquele lugar inóspito e deserto. O sol, inflamando o céu com seus raios poderosos, queimava sua carne impiedosamente. Seu corpo pálido e acostumado a um ambiente artificialmente refrigerado e na penumbra, sofria com aquele calor intenso e abafado.

Olhou em volta. Tudo eram pedras, areia e desolação. O calor… Ah! Aquele calor, ele tinha que se abrigar rapidamente ou sucumbiria em pouco tempo. Seus olhos fitavam o horizonte desolado em busca de abrigo. Viu ao longe uma caverna e, cambaleante, dirigiu-se pra lá. Jogou-se nas sombras e tocou os ombros que já ardiam e começavam a latejar. Tremia. Pensou logo que estaria com febre. Desacostumado aquelas condições sentia o pânico tomar conta de seu espírito.

O que teria acontecido? Aos poucos, sua mente começava a se organizar e os anos de doutrinação vinham em seu auxílio para ajudá-lo a entender. Fora convidado para o festim pelo Sumo-Sacerdote. Comparecera e participara do banquete, juntamente com Sua Majestade Egydium I. Porém, só agora, se lembrava que apenas ele bebera da taça oferecida pelo Grande Rei. Então era isso… Fora drogado, despido e transportado para o Ruas Amargórium. Fora banido!

Mas, por que? Sempre executara seus deveres com esmero e dedicação. Nenhum sacerdote tinha tantas mortes confirmadas quanto ele. Seus informantes espalhados por todas as cidades e aldeias de UATI eram os mais ativos e os mais precisos de todo o clero. O Grande Deus Olavus em sua face “O Decepador” sempre preferia incorporar-se nele. Não compreendia o que podia ter ofendido o Grande Rei.

Só se… Só poderia ser isso… Aquele ritual… Dias antes, havia presenciado um estranho ritual no templo. Um homem teve os olhos arrancados e a boca costurada; recebendo enormes quantidades de moedas de ouro. Logo depois foi entregue as “criaturas sem rosto”. Ele tinha sido avisado para não comparecer ao salão místico naquele dia. Pois o ritual só era acessível aos mais graduados sacerdotes. Ele havia testemunhado o ritual secreto do “Calae Bocus”. Estava sendo silenciado!

Desesperou-se, tudo fora um terrível mal entendido. Havia passado todo o dia colocando em ordem os livros sagrados e selecionando novas vítimas para futuros expurgos, e esquecera-se do aviso. E, distraído, entrara no salão proibido.

Sabia que aquele lugar maldito era habitado por muitos uerreagariânus que, como ele, haviam caído em desgraça por motivos vários e foram isolados ali. Durante o dia calor intenso, à noite frio penetrante e mortal. Encontrar com esses renegados significava a morte certa. Pois, embrutecidos pelas condições severas do lugar, eram lutadores ferozes e fortíssimos. E ele, acostumado a uma vida farta e mansa, estava muito longe de ser páreo para eles.

Absorto em seus pensamentos, nem notou o ruído vindo da entrada da caverna. Um grupo de renegados famintos o observava e antevia uma refeição farta. Assustou-se quando o líder destacando-se do grupo avançou em sua direção e o agarrou pelos cabelos. Debateu-se com todas as forças que lhe restavam. Mas as mãos daquele homem-fera eram como garras poderosas. A luz do sol penetrava tênue pela abertura da caverna e um raio incidiu sobre a imensa e reluzente lâmina que o selvagem segurava na outra mão. Enquanto seus olhos esbugalhados acompanhavam o brilho intenso em movimento, sua mente lembrava-se num átimo de segundo, de todas as vítimas que teve em suas próprias mãos. Como elas se debatiam, choravam e imploravam por suas vidas miseráveis. Sentiu o frio aço penetrando em sua pele fina e queimada. Tentou gritar, mas o sangue inundava sua garganta transformando seus gritos num grunhido horrível e abafado. Enquanto seu corpo caía ao chão, pode ver que os outros avançavam sobre ele, golpeando-o e retirando lascas de sua carne ainda viva e pulsante. Imerso em dores lancinantes e no limiar da morte, ainda pode pensar que todos que ele havia matado em nome do Grande Rei, deveriam ter passado pelo mesmo tormento atroz.

 

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06 Jan

EGYDIUM I.

Egydium I - Setúbal

 

 

 

Ele nasceu como todos nós, nu e sujo. Mas, diferentemente de qualquer outro em UATI, seu frágil corpo foi rapidamente enrolado num manto dourado e aquecido pelas emanações mágicas do caldeirão do feiticeiro de sei pai; o grande Olavus Maximus. Os vapores místicos, frutos da mistura de ouro, prata, platina, bronze líquidos e ervas mágicas envolviam seu berço esplendidamente decorado com tesouros dos mais longínquos pontos do reino. Esses vapores deram ao jovem rebento o poder precoce sobre todas as fontes de riqueza da terra.

Enquanto crescia, era acalentado por sua nobre mãe e por várias amas. Sonhava ser agricultor. Produzir alimentos e trabalhar na terra, tirando dela toda a sorte de maravilhas. Era apenas uma criança, tinha sete anos, quando foi retirado abruptamente dos braços de sua mãe e entregue aos Sacerdotes Circulares.

Levado até o templo no sopé do monte Din-Hei-Ramus. Ainda criança, Egydium viu-se rodeado por estranhos e era cuidado por virgens belíssimas e seminuas. No interior do templo, ela era treinado e instruído nas artes secretas e recitava os versos sagrados dos antigos escritos de UATI.

Quando esmorecia ou se distraía, era espancado até quase a inconsciência pelos sacerdotes. Pois, assim, seu caráter se fortaleceria. Aos quinze anos, foi abandonado nas longínquas e áridas planícies do RUAS AMARGÓRIUM. O objetivo desse exílio era moldar o caráter e transformar a criança em homem. Pois lá, ele deveria sobreviver às hordas de uerreagariânus que habitavam o lugar, abandonados e condenados ao ostracismo perpétuo. Em seu profundo ódio pelos membros das castas superiores de UATI, eles se consideravam traídos e caçavam esses jovens nobres diretóriuns que faziam seu rito de passagem. Capturavam os negligentes e os fracos e, com eles, praticavam atos homossexuais e de canibalismo.

Ao jovem iniciado, era entregue um farnel de alimentos frugais, um cantil com pouco mais de meio litro de água e uma faca. Com esses apetrechos, deveria sobreviver por quinze dias e atravessar todo o território do Ruas Amargórium até os portais do templo. Só os mais fortes e mais bem preparados conseguiam.

Para orgulho de seus mestres, o jovem Egydium, conseguiu superar todos os obstáculos da perigosa travessia e ainda trouxe consigo a cabeça de dois uerreagariânus. Mostrava assim, os primeiros sinais de sua predileção pela decapitação.

Após o retorno ao templo, foi ordenado nas artes secretas de seus ancestrais e entregue a seu pai. Olavus Maximus, sabendo do incrível desempenho de seu filho, enviou-o para a terra sagrada de WALLY STREETS. Lá, ele seria instruído no controle e na multiplicação infinita dos metais preciosos. Seria pupilo do grande mestre e amigo pessoal de Olavus, Deer Nhoj, um dos mais sábios e ilustres senhores de Knabitic.

Após seu aprendizado, que durou dois anos, retornou a UATI e engajou-se nas forças militares. Influenciado fortemente pelos generais e conselheiros gananciosos de Olavus, após a morte deste na batalha do Canal de Terceirizatórium, assumiu o trono e iniciou uma era de guerras de conquistas.

Embriagado pelo sucesso e corrompido pelo contato com novos costumes, seduziu-se pelos Deuses Pagãos e adotou secretamente o culto sangrento de Bóllor. Instruindo os Sacerdotes Circulares para que vagassem por nosso país buscando vítimas para seus rituais carniceiros.

Gênio militar e discípulo de Adolf Hitler tornou a matança, os expurgos e a repressão bárbara meios comuns de gestão e de controle populacional. Criou, treinou e equipou um exército de espiões e informantes, conhecidos como babaovóriuns e infiltrou todos os órgãos da administração e as cidades de UATI. Costuma-se dizer que nada é feito ou dito, que os olhos e ouvidos de Egydium não vejam e ouçam.

Odiado e temido por seus súditos, é constantemente ridicularizado em reuniões e festividades populares. Mas, bajulado pela corte, mantêm-se distante do populacho e crê que tudo vai as mil maravilhas no reino. Combatido ferozmente pela resistência, caça seus membros e os aniquila febrilmente, exibindo seus corpos nas praças das cidades. Conhecido pela alcunha de “O MAU”. Transformou o império que seu pai construiu com bases sólidas de honra e respeito aos cidadãos num verdadeiro abatedouro; um lugar onde a vida humana nada significa.

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03 Jan

O CALAE BOCUS. (FINAL)

O Calae Bocus Final

 

 

O Dr Alceu olhava a sua volta, tentando desesperadamente achar uma rota de fuga. Os gigantes que o prendiam postaram-se na soleira da porta na câmara a que fora levado. Mulheres lindas de várias raças adentraram o aposento caminhando tão suavemente que pareciam flutuar. Estavam nuas. Os corpos cobertos com pinturas ritualísticas que ele nunca havia visto antes.

Uma delas, com uma lâmina dourada que se assemelhava a um cifrão, aproximou-se dele e começou a cortar suas roupas. Uma-a-uma, as peças de roupa foram arrancadas e seu corpo foi massageado por dezenas de mãos habilidosas e untadas com o mais fino óleo. Estranhamente, o Dr. Alceu, relaxou e deixou-se invadir pelas ondas crescentes de prazer. Agora, as mulheres, exploravam seu corpo com suas bocas famintas. Os cabelos compridos caiam-lhes sobre os rostos, escondendo o olhar perdido no transe místico.

Não suportando mais. o Dr, Alceu, urrava em um orgasmo que nunca experimentara. Abatido pelo cansaço, desmaiou. Não soube por quanto tempo. Mas, ao acordar, estava sozinho na câmara. Vestia uma túnica dourada que refletia a tênue luz dos archotes nas paredes. O homem que o trouxera até ali, estava de pé, observando seu despertar. Apesar de ainda estar amarrado, sentia-se calmo e relaxado. Aquela experiência havia sido magnífica para ele. Em sua vida medíocre, nunca havia sido tão estimulado.

Com a voz calma e compassada, o homem, passou a explicar ao inerte médico o que ocorreria: “Dr. Alceu, agora o senhor está pronto para o ritual principal. Nele o senhor selará o pacto com nossos deuses e através deles, e da obediência cega, conseguirá riquezas e prazeres nunca sonhados pelo senhor. Tudo o que pedimos é que siga o juramento a risca. As conseqüências de rompe-lo seriam devastadoras para o senhor e sua família”.

Dizendo isso, fez um sinal quase imperceptível com a cabeça e duas mulheres inclinaram-se sobre o corpo do médico o desamarrando. Ajudaram-no a levantar e apoiando-o nos ombros o conduziram ao átrio principal. Lá chegando, notou que o altar estava limpo e irradiava uma luz estranhamente dourada. Aliás, podia notar que o dourado era a cor predominante do local. Estava em toda parte, nas paredes, no altar, e nas roupas cerimoniais.

As mulheres o conduziram até o altar e o deitaram carinhosamente sobre ele. Os assistentes reuniram-se ao redor do sumo-sacerdote e começaram a entoar cânticos e evocações. Ao fundo, a chama tornava a se elevar e quase tocar a deslumbrante abóbada. O Dr. Alceu fez menção alevantar-se, o êxtase anterior o abandonara e o medo tomava conta rapidamente de sua alma. Porém, duas mãos fortes como garras de aço seguraram seus braços e o imobilizaram.

Os cânticos cresciam e tornavam-se mais rítmicos e hipnóticos: “Per Adonai Elohim, Adonai Olavus Maximus, Adonai…”

O sumo-sacerdote ergueu as mãos e o rosto em direção ao céu. E gritando a plenos pulmões, deixava sua voz sobrepujar todas as outras: “pythónicum, mistérium salamándrae, convéntus sylphórum, antra gnomórum, doemónia Coeli Gad, Almousin, Gibor, Bóllor, Evam, Zariatnatmik - Veni, veni, veni!!!”

Ao proferir as últimas palavras, um facho de luz dourada o atingiu em cheio no peito. Suas mãos desceram até o altar e apanharam a faca cerimonial. Dominado pelo espírito do Deus, ele desferiu um golpe certeiro arrancando os olhos do Dr. Alceu. Um após o outro. Com a mão livre, puxou a língua do médico e, num rápido movimento a decepou.

O médico desfaleceu, as dores eram insuportáveis, tentou reerguer-se, mas mãos poderosas ainda o detinham. Sentia mãos macias e gentis sobre sua boca e pálpebras. Eram as sacerdotisas virgens que costuravam-nas com finíssimos fios de ouro puro. Enquanto costuravam, entoavam preces num murmúrio ininteligível.

Ao terminarem a sutura dos orifícios, elas cobriram seu corpo ensangüentado com moedas de ouro. Nesse exato momento, o Dr. Alceu, notou uma coisa impossível: Ele podia ver.

Via tudo a sua volta. Apesar de não ter mais olhos, ele podia observar tudo através da aura dos corpos. Sentado sobre o altar, não sentia mais dores. A visão das moedas de ouro trazia uma emanação de tranqüilidade mística. Olhou para suas mãos e podia ver através da pele. Tinha o poder da visão além da realidade. Ainda estava imerso nessa nova perspectiva quando foi trazido de volta de seus pensamentos por uma voz retumbante atrás de si: “Tu realizaste o pacto. A partir deste momento, tua alma pertence aos Deuses Banq-Eir-Oz. Apenas a eles e a nós deves obediência. Agora, receberás a caneta mágica. Com este símbolo de nosso pacto, poderás anular quaisquer decisões, pareceres ou diagnósticos que venham a confrontarem-se com nossos desejos. Este é o símbolo e a fonte do teu poder. Romper este pacto é entregar tua vida, alma e família a vingança dos Deuses. Terás poder sobre as mentes humanas para aterrorizá-las e infligir-lhes sofrimento. As artes ocultas serão tua fonte de poder e teu legado”.

Sentindo-se poderosamente estimulado, o Dr. Alceu, foi conduzido por duas virgens até a entrada do templo. O sol brilhava, e sua luz o fez sentir uma profunda dor. Um carro luxuoso e com janelas negras já o aguardava, conduzido pelas virgens, acomodou-se no banco traseiro e sua visão mística retornou. Ao seu lado, criaturas sem rosto o observavam. Uma dela se comunicou, telepaticamente, com ele dizendo: “Seja bem-vindo, Doutor! Nós agora tomaremos conta do senhor.”

Sem dizerem mais nada, o conduziram ao posto “conveniado”.

 

 

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02 Jan

O CALAE BOCUS. (I)

O Calae Bocus (I)

 

 

O RITUAL SECRETO QUE CONFERE PODERES MÁGICOS AOS PERITOS DE UATI.


A vida era difícil, recém formado, dificuldade de arranjar um bom emprego e de ganhar seu sustento dignamente. O Dr. Alceu era mais um entre milhares de profissionais mau pagos que enchem as folhas de pagamentos de governos do terceiro mundo. Ele sonhava com a independência financeira e com a possibilidade de ter tudo o que sempre sonhara. Uma vida farta e cheia de benesses.

Cansado de esperar pela chance que nunca chegava, resolveu que iria abandonar a carreira. Não entendia como os médicos enviados para os postos conveniados da Previdência Internacional e que prestavam serviços para a Família Real de Uati e de outros países, dispunham de servos, veículos luxuosos com mordomias variadas, casas em lugares incríveis e maravilhosas. Seus filhos estudando com os melhores mestres de todas as artes e ciências. Era estranho aquilo. Pois ele ganhava exatamente a mesma coisa que eles e não entendia o que ocorria. O mais estranho era que, após irem servir nos postos, eles nunca mais eram vistos. Sempre acompanhados por figuras estranhas, homens (ou pelo menos pareciam ser) encapuzados usando mantos e de quem nunca se podia ver o rosto.

Ele se intrigava com aquilo e, parte por inveja, começou a investigar. Apurou que as criaturas que se passavam por servos, na realidade eram os mestres deles. Os conduziam, do posto ao trabalho para que nunca fossem observados ou seguidos. Os alimentavam e os protegiam evitando que fossem atacados pelos comandos da resistência. Era praticamente impossível chegar perto de um deles. Mesmo nos exames, as criaturas cuidavam para que só se chegassem a eles, após cuidadosas revistas e acompanhamento rigoroso.

Sem notar, o Dr. Alceu é que estava sendo observado e sondado. Numa noite, um carro parou em frente a sua humilde casa na periferia e dois homens bem vestidos saltaram e bateram em sua porta. Ao abri-la, o Dr. Alceu, se assustou e tentou recuar. Agarrado pelo braço, foi conduzido ao interior do veículo. Lá, um homem jovem e com um ar soturno, disse com uma voz pausada, baixa e assustadora: “Dr. Alceu, temos acompanhado seu ”interesse” por nossas operações na Previdência Internacional. Estaria interessado em fazer parte delas?”

Nervoso, suava frio, e aquelas palavras penetraram em seus ouvidos de uma forma inesperada e estranha. Seu coração parecia parar de bater. Sentia o sangue reduzir a velocidade nas veias e gelar. Naquele momento, seus sentidos estavam tão afiados que ele tinha a percepção ampliada muitas vezes e podia ver o mundo a sua volta como nunca antes. Gaguejando e falando tão baixo que suas palavras soaram quase inaudíveis, ele sussurrou: S-sim.”

Sem dizerem mais uma palavra sequer, os homens reuniram-se a ele e o veículo mergulhou na noite. Após várias horas, chegaram à fronteira com UATI. Estranhamente, sem solicitarem documentos ou sequer olharem o interior do veículo, os guardas ergueram a barreira e permitiram a entrada do carro naquele país estranho.

Chegaram já na alta madrugada a uma construção antiga que aparentava ser um templo. Era muito velha mesmo. Os entalhes nas portas e nas pedras davam ao lugar uma aura inequívoca e assustadora de terror extremo. Podia perceber que era uma língua antiga e, a muito, esquecida. Era estranho. O que eles queriam dele? O que aquele lugar que, agora tinha certeza, era um templo tinha a ver com um médico? Seria um teste? A verdade é que já se arrependera. Queria correr e fugir. Mas sabia que se desistisse, estaria morto.

Os homens o conduziam pelos corredores escuros e fumarentos, como se já conhecessem o local intimamente. A luz da aurora, que já se pronunciava, era incapaz de penetrar as janelas escuras e aquela atmosfera doentia. Sentia dificuldade em respirar. No ar, havia um cheiro nojento e adocicado que revirava seu estomago.

Chegaram a um átrio enorme que antecedia um salão maior ainda. No centro do salão, via-se o que parecia ser uma fogueira gigantesca. As chamas subiam pelo ar quase até tocar a cúpula dourada que encimava o templo. Ao seu redor, criaturas com mantos escuros entoavam cânticos que ele não conseguia compreender. Ao centro, um pequeno altar de ouro, circundado por pinturas gigantescas dos Deuses Banq-Eir Oz, retratando todo o panteão sagrado.

Sobre o altar, um homem vestindo uma túnica dourada era martirizado. Estavam arrancando-lhe os olhos. A cena macabra o chocou profundamente. Virou-se e tentou correr. Foi agarrado, amarrado e silenciado. O estranho homem, que até aquele momento só havia falado com ele no carro, virou-se e calmamente sussurrou em seus ouvidos num tom condescendente: “Doutor, infelizmente não aceitamos desistências”.

 

Nada havia preparado o pacato Doutor Alceu para o que aconteceria depois.

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30 Dec

FINAL DE ANO.

Feliz Ano Novo!

 

 

Mais um ciclo de lutas; vitórias; derrotas; ilusões e surpreendentes realizações se encerra. Daqui para frente novos desafios se apresentarão e, com certeza, também serão vencidos por nossa vontade e nosso empenho.

O ciclo da vida recomeça e avança em seu ritmo infinito. O Ser Humano tornou-se o senhor do planeta graças a sua capacidade de agir em grupo e usar as habilidades de um em benefício de todos.

Desejar felicidades, paz, amor, saúde e sucesso parece ser um “lugar comum” ou uma “obrigação” nessa data. Contudo, o que mais poderíamos desejar, além disso? Afinal, se conseguirmos essas coisas, nada mais é necessário. Desde que o primeiro ancestral deixou a segurança das árvores, o homem busca isso. Então; ficam aqui os meus desejos e meus votos de que você leitor, consiga isso tudo e muito mais que quiser em 2008. Que suas famílias e vocês tenham uma vida longa e próspera (plagiando o Dr. Spock) cheia de vitórias e realizações.

A partir do dia 02/01/2008 estarei de volta com textos inéditos e conto com sua presença diária nesta troca de idéias e pensamentos que sempre contribuem para tornar interessantes nossos dias.

Um abraço a todos e um…

FELIZ ANO NOVO!

27 Dec

O DIA DE SÃO OLAVUS.

O Massacre do Dia de São Olavus

 

 

O MASSACRE DOS INOCENTES.


Com a morte de Olavus Maximus na Batalha do Canal de Terceirizatórium e a ascensão de Egydium I ao trono de UATI (veja em “Cruzadas Enriquecedoras”), nosso país mergulhou num hiato de poder que beirou perigosamente ao caos político.

Pressionado pelos antigos conselheiros de Olavus Máximos, o novo rei, via-se obrigado a tratar seus súditos com o mesmo respeito e devoção que seu pai tanto prezara. Forçado a obedecer aos tratados internacionais assinados por Olavus, Egydium I, era constantemente advertido de que seus sonhos de domínio global e a prática de sacrifícios humanos no culto ao Deus Bóllor, não seriam tolerados pela assembléia dos DIRETÓRIUNS. A casta dominante de UATI. Todos forjados pelas batalhas ao lado do líder grandioso que era Olavus, secretamente, riam-se do imbérbere aprendiz de ditador.

Porém, os nobres subestimaram a fome de poder e a implacável sede por expansão que habitavam na alma enegrecida do jovem Egydium I. Diz à lenda que, para obter o dom de controlar a alma dos homens, ele derrotara o próprio Lúcifer em um jogo de cartas roubado. Seja isso verdade ou não, o jovem rei conseguiu convencer um pequeno grupo de filhos de nobres diretóriuns a rebelarem-se contra os próprios pais e promoverem a morte de seus pais, coincidentemente opositores de Egydium I. Esta foi à senha para um massacre de proporções ainda maiores.

Homens, mulheres, crianças, velhos, doentes ou sadios; absolutamente de qualquer casta ou classe social foram visitados pelas lâminas afiadas dos Sacerdotes Circulares incorporados pelos Decepadores. O massacre durou um dia e uma noite inteiros. Cidades como CTO, CANCELA, CEIC e outras menores espalhadas por todo território uatiense viram seus habitantes serem reduzidos a muito menos da metade ou, em alguns casos, a zero.

Bandos de cavaleiros mascarados conduziam os sacerdotes em transe místico para o centro dos povoamentos e lá os libertavam. As espadas afiadas brilharam a luz do sol e da lua. Os gritos ecoavam e invadiam cada aposento, cada castelo, cada choupana. Mães imploravam por seus filhos e maridos. Mas eram, igualmente, eliminadas.

Relatos da época dão conta que os cadáveres empilhavam-se nas ruas e nas margens dos rios de modo que ninguém comia peixe e nem conseguia trafegar pelas ruas sem pressionar panos perfumados junto ao nariz.

Ao saber do massacre, o Papa Gregórius, enviou emissários para descobrir o que acontecia. Corrompidos por Egydium I, esses emissários voltaram a Roma com a notícia de que o massacre tinha sido promovido contra os seguidores do Deus Bóllor. Gregórius ficou muito feliz com o acontecido: os sinos de Roma ressoaram para um dia de graças, foi cunhada uma medalha comemorativa em honra da ocasião e o papa encarregou o artista Giorgio Vasari da pintura de um mural celebrando o fato.

Mais uma vez, Egydium I, tinha livre o caminho para implantar seu reino de terror e morte.

Baseado no “Massacre da Noite de São Bartolomeu”. Massacre promovido pelos reis da França contra os Huguenotes em 1572.

 

23 Dec

MENSAGEM DE NATAL.

Papai Noel Sobrevoando as Casas no Natal.

 

 

Numa época em que o Espírito do Natal deu lugar à sanha do comércio, este dia é uma oportunidade para repensarmos nossas atitudes e nossa visão do próximo. Movidos pelo estresse do dia a dia, muitas vezes fechamos nossos corações para o mundo que nos cerca. Enclausurados nos universos particulares que criamos e encerrados em muros altos e intransponíveis, deixamos nossos corações trancados e cegos para tudo que ocorre além desses muros e universos.

O maior presente, que podemos dar a quem amamos é o nosso amor desinteressado. Sem pieguices e sem falsos sentimentalismos; poder dizer a quem luta ao nosso lado que o amamos, é uma dádiva. Imaginemos quantas pessoas, ao redor do mundo, desejariam que hoje aquela pessoa: Pai, mãe, namorada, esposo, esposa, filho, filha ou amigo estivesse ao seu lado para que pudesse dizer o quanto o ama.

A vida é efêmera e passa rápido. Aproveitemos o hoje. O aqui e o agora. Deixemos, mesmo que apenas nesta data, nossos problemas; planos e anseios para o futuro de lado. Vamos nos concentrar em curtir a presença daqueles que nos cercam e dos amigos que estão à distância. Mas que, em algum momento, iluminaram nossas vidas com a sua presença.

Eu, por minha vez, agradeço a todos vocês leitores que, de uma forma ou de outra, abrilhantaram minha vida com suas palavras de carinho, atenção e críticas sempre pertinentes e bem colocadas. Para vocês, amigos que nunca vi, mas que ao longo dessa caminhada resolveram doar uma pequena parte da luz que brilha em suas almas para iluminar meus caminhos, meus votos de um FELIZ NATAL!

 

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